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O NOSSO PATRONO

Manuel Maria de Sousa Calvet de Magalhães

Lisboa, 8/3/1913 - Lisboa, 29/8/1974

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Professor e metodólogo da disciplina de Desenho no Ensino Técnico, inspector e director da Escola Francisco de Arruda, artista plástico, jornalista e publicista, nasceu em Lisboa a 8 de Março de 1913. De forte tradição liberal, a família conta com artistas plásticos, diplomatas, escritores e jornalistas. Depois de ter concluído o curso liceal no Liceu Passos Manuel frequentou o Curso de Pintura na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa e o Curso de Cenografia na Secção de Teatro do Conservatório Nacional de Lisboa. Membro da segunda geração dos modernos pintores, notabilizou-se como Magalhães Filho, recebendo o Prémio Nacional de Arte Luís Lupi e o Prémio Amadeu Sousa Cardoso.

A meio da década de quarenta, iniciou o estágio para professor do 5º grupo do Ensino Técnico, na Escola Jâcome Raton, em Tomar - habilitado que estava com o diploma do Curso de Ciências Pedagógicas pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra - e ficou aprovado em Exame de Estado, em 1947, apresentando a tese Metodologia do Bordado.

A partir de 1946, dedica parte da sua actividade à administração escolar. Desempenhou, ao longo da sua carreira, os cargos de metodólogo, membro de júris de Exames de Estado e de concursos para a docência, inspector do Ensino Técnico, membro da Comissão do Estatuto da Educação Nacional, membro da direcção do Centro de Estudos de Pedagogia Audio-visual, conselheiro da Fundação Calouste Gulbenkian, membro do Instituto de Alta Cultura, vogal do Conselho Pedagógico do IMAVE e membro da Comissão dos Seguros Escolares. Em 1956, com apenas 43 anos, é nomeado director da Escola Elementar Francisco de Arruda, cargo que ocupou até ao seu falecimento. Como director da escola, mobilizou pessoas e interesses em torno de múltiplas e regulares realizações de reconhecido valor pedagógico e permitiu que a escola estivesse sempre presente nas experiências pedagógicas, tais como a coeducação, a integração de alunos deficientes, o 7º e 8º anos experimentais e os meios audiovisuais. Criou um modelo único de integração da comunidade educativa, através de sessões culturais aos Sábados, com filmes e palestras por escritores, artistas, pedagogos etc., e de prestação de serviço à comunidade, com a criação da Chiquinha - infantário, infantil e primária para filhos de professores e funcionários da área.

Além da sua actividade artística, docente e jornalística, publicou "Organização dos exercícios de desenho do ciclo preparatório" e "Bordados e rendas de Portugal".

De 1938 até 1974, foi um colaborador incansável de jornais e revistas entre as quais se destacam Escolas Técnicas, Escola Portuguesa, Divulgação Pedagógica, Revista Portuguesa de Pedagogia, Seiva, Boletim Codepa, O Boletim da Mocidade, Vida Mundial, O Século Ilustrado, Flama, Diário de Lisboa, A Capital e O Professor. Esta actividade valeu-lhe a instauração, nos anos sessenta, de um processo disciplinar, pelo aparelho do Estado Novo, o qual foi posteriormente arquivado, por decisão ministerial.

Não escondendo a sua preferência por uma profissão docente independente, apoiou e deu suporte logístico, como director da Escola Francisco de Arruda, ao Grupo de Estudo do Pessoal Docente do Ensino Secundário, embrião do futuro Sindicato dos Professores, desde a sua criação em 1969/70. Nas páginas de "O Professor", defendeu o direito de associação dos professores. 

No âmbito da Reforma do Sistema Educativo, de Veiga Simão, tomou posição clara, lembrando o atraso, os prejuízos e as discriminações sociais que do sistema educativo resultavam para a educação nacional, alertando para a insuficiente abertura do projecto à discussão pública e levantando a questão central da democratização do ensino, enquanto garantia do acesso ao prosseguimento de estudos dos alunos materialmente desfavorecidos.

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